Rotas viajeiras Angola – Brasil

102- estepe
foto Ilka B. Leite

 

 

“O avião aterra no deserto e seria excelente que te aguardasse um daqueles dias de luminosidade franca como os que podem ocorrer no tempo das chuvas, depois da tempestade, quando chove até na costa e dói de ver tão perto, a distância dada só pela escala das formas, dos volumes, não há qualquer bruma a interpor-se às cores, a confundir o recorte das coisas. Mas chegando em agosto encontrarás por certo uma manhã brumosa. Imensas massas de humidade densa avançam do lado do mar, aguardam na costa que o sol as aqueça, e se projectam logo pela escadaria da placa sedimentar até esbarrar na serra e condensar-se lá, velando a luz de um sol distante como há-de ser talvez o que acharás agora.”

Ruy Duarte de Carvalho. “Fui lá visitar pastores”

 
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